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Bricolage da Escrita

Bricolage da Escrita

Entre a Presença e a Ausência: A Atualidade Ética das Parábolas do Bom Samaritano e do Juízo Final

À partida — a avaliar pelo título — poder-se-ia pensar que estamos perante um texto de matriz religiosa, com origem em alguém que pretende defender ou atacar alguma crença. Ora, neste caso, nem uma coisa, nem outra.

Pretende-se, à luz da contemporaneidade, refletir sobre uma passagem bíblica e, em articulação com outra, evidenciar como ambas nos interpelam para dimensões há muito afastadas do centro das nossas preocupações quotidianas.

Sempre considerámos a parábola bíblica que iremos explorar como dotada de um poder extraordinário, independentemente da sua conotação religiosa. A parábola oferece-nos uma mensagem de profundo alcance social, ético e solidário. Remete-nos para uma consciência moral que deveria habitar o quotidiano das nossas vidas e — sem receio de parecer exagerado — orientar até as políticas públicas das nações.

Se transcrevermos a respetiva passagem na sua totalidade, compreendemos com maior nitidez o seu alcance existencial e a sua força humanista. Podemos até lê-la como se, em vez de um “Senhor” transcendente, fosse a nossa própria consciência a interpelar-nos.

Há, neste texto sagrado, uma dimensão estética que o torna ainda mais arrebatador: como se se tratasse de uma lei universal, simples e acessível a todos os que se reconhecem no valor da dignidade humana. Em última instância, é como se nos entregasse um princípio tão essencial que pudesse servir de fundamento ético para o nosso agir: um verdadeiro imperativo categórico, como diria Kant.

Vejamos, então, o texto que se impõe como máxima de uma ética admiravelmente incontornável:

“Então os justos Lhe responderão:
Senhor, quando foi que Te vimos com fome e Te demos de comer, ou com sede e Te demos de beber?
Quando foi que Te vimos como estrangeiro e Te recebemos, ou nu e Te vestimos?
Quando foi que Te vimos doente ou na prisão e fomos visitar-Te?
E o Rei lhes responderá:
Em verdade vos digo: tudo o que fizestes a um dos Meus irmãos mais pequeninos, a Mim o fizestes” (Evangelho segundo São Mateus 25, 37-40).

A partir daqui, interessa-nos sobretudo inferir as implicações do que passaremos a designar de “parábola invertida”. Pretendemos imaginar, por isso, como responderiam não os “justos”, como já vimos, mas os “injustos” — aqueles que, no dia a dia, ignoram sob as mais diversas formas o seu semelhante, sobretudo os mais vulneráveis.

Não se trata aqui de inverter a parábola no seu conteúdo ou sentido original, mas de mostrar como muitos, ainda hoje, a invertem nas suas ações — ou omissões — diante do sofrimento do outro.

A análise que propomos não é escatológica (como a do Juízo Final), mas enraizada na contingência da vida, no que ela tem de relacional, ético e social. Perguntamo-nos: como se comportariam os que fossem chamados a prestar contas da sua vida pelo “Senhor” — ou, numa leitura profana, pelo nosso “Rei-consciência”? Porque, sendo nós seres essencialmente sociais, essa obrigação interpela-nos a todos.

Atónitos, mas sobretudo imbuídos de um cinismo devastador, desresponsabilizados e talvez ainda na esperança de alguma justificação tardia, os injustos tenderão a inverter a lógica da parábola. Nesse sentido, perguntarão:

Senhor, quando Te vimos com fome e não Te demos de comer?
Quando Te vimos doente, abandonado, e não nos importámos?
Quando Te vimos como estrangeiro e não Te acolhemos?

É como se, transferindo a culpa para a invisibilidade do outro, justificassem a omissão. Como se apenas a evidência garantisse a obrigação de cuidar. Como se, numa sociedade dominada pela ditadura do visível e do quantitativo, ainda houvesse esperança numa avaliação em números.

Precisamos, pois, de retirar à parábola a carga de “juízo final”, redirecionando-a para o âmago da existência de cada um. A cada instante. E se não quisermos vê-la sob o prisma religioso, podemos substituir o “Rei” pela nossa consciência — esse “Rei-consciência” que nos guia, nos desafia e nos obriga a ver no outro o verdadeiro interlocutor da nossa humanidade. Sobretudo nas suas fragilidades — emocionais, sociais, económicas, espirituais.

Uma mensagem particularmente relevante na parábola é, também, o convite a não cedermos à fadiga da indignação perante a fragilidade de que outro, sob diversas formas, pode ser vítima.

A parábola, na nossa opinião, adquire uma atualidade brutal. Face aos fenómenos sociais e políticos que nos rodeiam — os refugiados, os problemas climáticos, as guerras no Médio Oriente, os conflitos armados noutras partes do mundo, até na própria Europa — somos convocados a responder. Que nos diz a nossa consciência? A título de exemplo: estaremos a ser verdadeiramente hospitaleiros com quem não tem onde se abrigar? Quando Te vimos sem casa e não Te acolhemos? Quando Te vimos com fome e não Te demos de comer? Poderíamos continuar, interrogando-nos se o outro é visível para nós ao ponto de nos comprometermos efetivamente com ele. Conseguimos ser empáticos ao ponto de nos colocarmos no seu lugar, como se fosse connosco?

Os cínicos, movidos por moralismos de fachada, tentarão justificar o injustificável: que o país é só deles, que a fome é lá longe, que os outros são perigosos, que não têm direito à dignidade, que a guerra é o caminho para a paz. Falam assim porque o outro continua invisível — e assim tudo se torna desculpável.

Mas hoje a parábola suscita novas perguntas, na senda da interpelação ética:

Senhor, quando Te vimos sozinho —  e Te abandonámos?
Quando Te vimos desesperado — e fingimos não Te reconhecer?
Quando Te vimos velho, cansado, carente de amor — e Te ignorámos?
Quando Te vimos ao nosso lado a pedir uma palavra — e nem sequer demos por isso?

Quando Te vimos perseguido sob diversas formas, violentado por diversos meios — e fingimos que não era connosco?

Estas interrogações aumentam e agravam-se num mundo dominado por uma lógica digital que, apesar da hiperconectividade, fragmenta as relações humanas, esvazia a presença e transforma a atenção em navegação indiferente. A parábola, ao exortar-nos à profundidade da relação com o outro, contradiz esta lógica de distração e desumanização promovida por tantas dinâmicas tecnológicas. O apelo à empatia torna-se, hoje, um gesto contra a indiferença algorítmica — contra um vazio existencial.

Gosto sempre de trazer à colação — de cor e em versão livre — uma passagem de Marco Aurélio que, de forma provocadora, nos lembra a nossa condição transitória: ontem fomos uma gota de sémen, amanhã seremos uma mão cheia de cinzas. Eis o retrato da nossa transitoriedade. E, ainda assim, tantas vezes cega e propensa à negação do outro.

Poderíamos continuar a multiplicar as perguntas da parábola — que é, afinal, uma lição socrática. Porque nela está implícito o princípio do autoconhecimento, da consciência das nossas limitações e da urgência de superarmos a cegueira ética em relação ao outro.

Sem uma consciencialização permanente da parábola como repto positivo, sem a aprovação íntima do nosso “Rei-consciência”, não conseguiremos transitar para uma globalização da proximidade, da empatia, da solidariedade. A parábola exige um compromisso ético quotidiano, um exercício constante de atenção e responsabilidade. Como se a sabedoria prática fosse a verdadeira via para a nossa melhoria enquanto pessoas. Como se o primado da ética tivesse de se sobrepor — hoje mais do que nunca — a qualquer outro princípio dúbio ou interesse instrumental.

Em síntese, a parábola instiga-nos a pensar e a agir em relação ao outro como condição sine qua non do nosso crescimento pessoal e da afirmação de um mundo sem fronteiras — nem raciais, nem económicas, nem sociais nem geográficas. Porque a humanidade só se cumpre verdadeiramente na síntese integradora e acolhedora de todas as diferenças. E nisso reside também o que hoje apelidamos, tantas vezes, de inclusão.

E talvez o que mais nos falte na vida comunitária seja isso mesmo: uma bússola ética que nos impeça de naufragar na vacuidade das nossas opiniões e convicções. Que nos recorde que, apesar da nossa transitoriedade, há sempre um gesto, um cuidado, uma escuta que pode celebrar a verdadeira fraternidade.

Por exemplo, quando passamos por alguém a dormir na rua numa manhã gelada, e justificamos a nossa indiferença dizendo “não vi”, “não era comigo” ou “há instituições para isso”, estamos a viver a parábola invertida. A ausência do gesto, a recusa do olhar, a desculpa racionalizada tornam-se respostas à pergunta: “Quando Te vimos com frio e não Te acolhemos?” A pedagogia da parábola reside exatamente aqui — na responsabilidade que temos mesmo quando não vemos, porque a consciência vê sempre.

Certamente que esta reflexão se alongará, mas, também pela sua pertinência atual, valerá a pena trazer também aqui a parábola do Bom Samaritano (Evangelho segundo Lucas 10, 25-37).

A parábola do Bom Samaritano contém em si um existencialismo ético de que a nossa sociedade, em geral, carece. Recoloca no centro, uma vez mais, a ideia de que a nossa humanidade se realiza na medida em que acolhemos o outro — sem condicionalismos, sem filtros, independentemente das suas diferenças culturais, étnicas ou religiosas.

Aquele homem deixado a morrer à beira do caminho, empobrecido, espancado e faminto, é socorrido não por quem se esperaria que o fizesse — os seus conterrâneos, religiosos e cultos — mas por um estrangeiro ( o Bom Samaritano), um herege, alguém exterior ao seu círculo de pertença É precisamente esse “outro”, visto como estranho e impuro, quem realiza um gesto ético irrepreensível: detém-se, cuida, acolhe, repara. A sua humanidade transcende a norma, a filiação, o preconceito.

Temos aqui o estrangeiro não como bárbaro — como na antiga Grécia se designavam os que vinham de fora e não tinham a mesma língua, usos e costumes—, mas como alguém que encarna o ideal do verdadeiro humanismo.

É impressionante a atualidade pedagógica, ética e existencial destas mensagens bíblicas, mesmo quando despidas da sua conotação religiosa. Cumprem uma missão moral, política, cultural e social de grande densidade, capazes de envergonhar muitas das ideologias (ou ausência delas) que povoam o espectro político nacional e internacional.

E, se restassem dúvidas sobre o que acabámos de afirmar, bastaria concretizar.

Olhando com atenção os movimentos migratórios — tantas vezes percebidos com desconfiança ou medo —, vemos que os estrangeiros que chegam, frequentemente empobrecidos e feridos pela guerra ou pela fome, não apenas desafiam a nossa capacidade de acolhimento, mas, paradoxalmente, acabam por ser os que mantêm vivas diversas estruturas económicas dos próprios países que os rejeitam. São, de certo modo, os samaritanos do nosso tempo — aqueles que, mesmo excluídos, sustentam, servem e, por vezes, reerguem.

O gesto parece aqui inverter-se: já não somos apenas nós chamados a acolher o outro — somos também, muitas vezes sem o perceber, acolhidos pela dádiva que o outro transporta. O próprio excluído, o “impuro” pode emergir como o verdadeiro agente de humanidade contra preconceitos, radicalismos socioculturais e religiosos.

Em tempos de expansionismos e reafirmações nacionalistas, a parábola ajuda-nos a reconhecer como são secundários os limites geográficos ou identitários, quando comparados com a exigência ética de ver o outro como um fim em si mesmo, e não como meio.

Importa, por isso, reconhecer como certas leituras ancestrais ainda são capazes de nos interpelar com tamanha atualidade — sobretudo no que toca ao chamamento ético para com o outro, consubstanciado no amor, na compaixão e no cuidado. Simultaneamente, configuram aquilo que hoje, tanta falta nos faz: a esperança numa humanidade melhor.

As parábolas, à luz da contemporaneidade, revelam-se como uma forma de tornar mais visível à nossa consciência o modo como, tantas vezes, o sofrimento do outro se torna invisível aos nossos olhos — e, pior ainda, como esse sofrimento se banaliza e se normaliza estupidamente no nosso quotidiano. Infelizmente, os exemplos proliferam (quer próximo de nós, quer um pouco por todo o mundo).

No fundo, aquele “Senhor” da parábola que espera a dádiva incondicional ao outro pode hoje ser lido como esse nosso “Rei-consciência” — uma instância íntima, ética e silenciosa, que nos desafia a ser melhores, não por imposição externa, mas por fidelidade à nossa própria humanidade. Porque agradar a esse “Rei” é, afinal, cumprir a parábola — vivê-la na atenção ao outro, no gesto, na escuta, na empatia — como quem reconhece que o outro é, desde sempre, parte de nós.

Ainda recentemente, a filósofa norte-americana Samantha Rose Hill, numa entrevista a um jornal semanário nacional, evocava Hannah Arendt — filósofa política alemã de origem judaica (1906-1975) que dizia ser essencial não como respondemos perante o tribunal da opinião pública, mas sim perante nós próprios: onde encontramos a capacidade de resistir, protestar, falar, fazer o que é preciso. Julgo que a leitura contemporânea das parábolas aqui referidas aponta exatamente nesse sentido: um repto lançado à nossa consciência, desafiando-nos a agir em conformidade com aquilo que ela nos dita.

Na esteira de Arendt, impõe-se assumir o risco de sermos humanos — não apenas na vontade permanente de compreender o mundo, mas também no compromisso de o transformar. Para melhor, evidentemente.

Jota Eme

AINDA HÁ ESPERANÇA NA HUMANIDADE

Apesar da extrema relevância da iniciativa, do gesto altruísta e profundamente humanista — a não ser num jornal — não vi que a mesma tivesse merecido a divulgação que efetivamente justificava. Falamos muito, mas quando deveríamos fazê-lo, abate-se sobre nós um silêncio inexplicável e, por vezes, cúmplice. Preferimos replicar — até à náusea — outras notícias que não justificam o destaque que lhes atribuímos. Não darei exemplos, para não alongar o texto.

Mas do que falo, afinal?

Reporto-me a uma notícia, assinada por Ana França, no Jornal Expresso, sobre a Global March to Gaza, uma iniciativa que reúne pessoas de pelo menos 30 países. Segundo o jornal, esta marcha tem como objetivo — mesmo que sem garantias de chegar ao destino — quebrar o cerco imposto por Israel e entregar ajuda humanitária.

Pois bem, desse grupo fazem parte dois portugueses: Tiago Sousa, 39 anos, skipper num barco turístico, e Ana Rito Tereso, 32 anos, professora de Português.

Não me detenho na rota que percorreram ou ainda irão percorrer (de avião, de autocarro, a pé…), pois, comparativamente a outros aspetos, isso talvez seja o menos relevante. Tal como o é saber se os impedirão de chegar a Gaza ou se ficarão nas imediações.

Tiago e Ana Rita não tiveram o apoio financeiro de qualquer organização. Tiago, inclusive, contraiu um crédito pessoal para poder expressar in loco a sua indignação perante a tragédia humana em Gaza. Acresce que enfrenta limitações de mobilidade resultantes de um acidente, e teve de deixar a sua mãe, com quem vive. Felizmente, o seu empregador permitiu-lhe concretizar este seu desígnio radicalmente humano, partilhando, de algum modo, do seu propósito.

Interessa, pois, enaltecer este gesto tão nobre e carregado de um significado que nos devia suscitar um mar de questões. Mas, sobretudo, reconhecer que ainda há pessoas que vão além das palavras; que encarnam uma lição viva de humanismo e humildade; que nos ensinam o que verdadeiramente significa inclusão, acolhimento da diferença, atenção ao outro — independentemente das suas origens raciais, étnicas ou religiosas; que não se resignam perante o sofrimento insuportável e injusto de tantos, em especial de crianças; que recusam a indiferença e se negam a calar a indignação; que privilegiam a ação em detrimento da retórica.

Tiago corrobora estas palavras quando afirma: “Esta decisão tem a ver com o sentimento da indiferença que noto nas pessoas e com certa vergonha de mim…” E, mais adiante, recusa-se a aceitar que a barbárie em Gaza continue a ser perpetrada em seu nome.

Já que não tenho a ousadia destes dois jovens, resta-me, na modéstia dos meus parcos recursos mediáticos, contribuir para divulgar uma experiência com uma dimensão pedagógica e ética absolutamente admirável — e que nos devia envergonhar por não conseguirmos sair das palavras de circunstância ou da indignação vazia, feita apenas de frases sonantes.

Mas também é de sublinhar: estes jovens dão-nos esperança. Mostram-nos que é possível acreditar na construção de uma humanidade melhor, mais justa, mais compassiva. Que talvez a nossa natureza seja profundamente positiva. São também o paradigma de uma filosofia prática de vida que privilegia o ser em detrimento do ter. Fazer um crédito pessoal para acudir quem sofre?! Simplesmente desconcertante! Não me ocorre adjetivo mais apropriado para traduzir tamanho altruísmo.

Bem-hajam! E que os destinatários de Gaza possam sentir, de facto, o impacto deste amor incondicional — destes dois e de todos os que integram a Global March to Gaza.

 

Jota Eme

 

A “AUTORIDADE-SERVIÇO” DO PROFESSOR COMO CONDIÇÃO TRANSFORMADORA DA ESCOLA

 EXIGENTE SEM SER AUTORITÁRIO, ACOLHEDOR SEM SER PERMISSIVO

Revisitar pedagogos que nos antecederam no tempo pode revelar-se uma viagem fascinante, não apenas pelo seu caráter inovador, mas também pela surpreendente atualidade das suas propostas. Aliás, não raras vezes, dá-se o paradoxo de aquilo que hoje se apresenta como novidade não ser mais do que uma reconfiguração discursiva — uma decantação da linguagem, por assim dizer — de ideias já há muito pensadas. Arriscaria mesmo dizer que, em muitos casos, assiste-se a uma forma de plágio intelectual, em que conceitos são apropriados sem o devido reconhecimento dos seus autores, como se os nomes desses pedagogos pudessem ser dispensados da memória coletiva.

CARL ROGERS - UM PEDAGOGO INCONTORNÁVEL  
Carl Rogers (1902–1987), psicoterapeuta e pedagogo norte-americano, deveria hoje ocupar um lugar incontornável na reflexão sobre a escola enquanto espaço de inclusão, de humanismo e de conhecimento. E porquê, perguntar-se-á com toda a legitimidade? Porque — responderíamos nós — a sua visão da educação, centrada na pessoa e na qualidade da relação pedagógica, constitui um alicerce sólido para repensar, de forma profunda, a maneira como ensinamos, aprendemos e nos relacionamos em contexto escolar.

PERSPETIVA SIMPLISTA E REDUTORA DE CARL ROGERS
Aliás, importa abrir aqui um breve parêntesis para lembrar que Carl Rogers foi, a nosso ver, alvo — intencionalmente ou não — de uma interpretação enviesada, distorcida e redutora do seu pensamento pedagógico. De forma simplista e sem verdadeiro fundamento, associou-se reiteradamente a sua proposta educativa à chamada pedagogia da “não-diretividade”, um rótulo impreciso que, apesar de infundado, perdurou até aos nossos dias. Trata-se de uma injustiça teórica e, em última análise, de uma traição ao espírito e à profundidade do seu pensamento. O próprio Rogers teria confessado que não gostava do termo. E mesmo assim… alguns ainda insistem. No mínimo, uma teimosia intelectual preguiçosa, diríamos nós. Como disse C. Hadji, um investigador francês em educação e especialista em avaliação, “Esta ideia [a de não-diretividade] é preciso reconhecê-lo, conduziu a considerações menos corretas por parte daqueles que acreditaram que ela levaria a nunca intervir e a deixar sempre fazer” (C. HADJI, Penser et Agir L’éducation, Editions E.S.F., Paris, 1992). Na melhor das hipóteses poderíamos falar, em Carl Rogers, de uma “neodiretividade”, um conceito para o qual remete Hadji. Fechemos, agora, o parêntesis.

INCLUSÃO, HUMANISMO E CONHECIMENTO: UMA TRILOGIA INDISSOCIÁVEL
A indissociável e complexa trilogia — inclusão, humanismo e conhecimento — deve constituir o ponto arquimediano, a pedra angular de qualquer reflexão séria sobre o processo de ensino e de aprendizagem. É a partir dela que importa redefinir o papel do professor, do aluno, do processo de ensino e da aprendizagem e da própria comunidade educativa. Não se trata apenas de melhorar práticas, mas de transformar a cultura da escola: de uma instituição ainda muito centrada na transmissão para uma comunidade centrada na relação, no crescimento mútuo e no desenvolvimento pleno de cada pessoa. O pensamento pedagógico de Carl Rogers pode ser um contributo deveras importante para conseguirmos esse desiderato.

O IMPACTO DO PROFESSOR COMO AUTORIDADE-SERVIÇO
Comecemos, pois, justamente por essa ideia do professor como autoridade-serviço, tentando perceber o seu significado e alcance. Em vez de assentar na hierarquia, no poder ou no controlo, a autoridade do professor é ressignificada como autoridade ética, relacional e pedagógica, exercida ao serviço do desenvolvimento do outro, ou seja, dos alunos. Assim, a ideia do professor como autoridade-serviço implica que a sua disponibilidade enquanto recurso humano e relacional o torne, efetivamente, uma presença ativa e significativa: um sujeito entre sujeitos, um aprendiz entre aprendizes.

Num tempo em que a tarefa de selecionar e interpretar a informação se torna cada vez mais complexa, em que o saber já não se reduz à simples acumulação de factos e em que escasseiam oportunidades de reflexão crítica sobre os conhecimentos, impõe-se repensar a função do professor à luz da conceção humanista de Carl Rogers. Mais do que transmissor de conteúdos, o professor deve assumir-se como facilitador da aprendizagem: alguém que ajuda o aluno a organizar, selecionar, refletir, comunicar e exprimir o saber em consonância com os seus interesses, necessidades e aspirações. Isso exige confiança no educando — na sua capacidade de se autoavaliar, de atribuir significado e valor à sua experiência e de orientar, com autonomia, o seu próprio percurso de aprendizagem.

Não podemos esquecer que a inteligência artificial tenderá a assumir um protagonismo cada vez maior (talvez tendencialmente desmesurado) nas aprendizagens dos alunos. Para que o professor não seja progressivamente substituído por ferramentas tecnológicas ou digitais, torna-se urgente priorizar a valorização da inteligência natural — essa sim, radicalmente humana. Temos a responsabilidade de garantir que o “copiloto” digital do chatbot não se sobreponha à presença insubstituível do professor, enquanto pessoa e mediador da relação educativa. É também por aqui que devemos insurgir-nos contra o autoritarismo tecnológico e resistir à tentação da “fadiga da indignação”. Confesso que gostei particularmente desta expressão — evocada pelo jornalista Luís Pedro Nunes — por retratar de forma tão certeira aquilo que, pouco a pouco, vai grassando na sociedade em geral.

VALORIZAÇÃO DO EXERCÍCIO DA FUNÇÃO DOCENTE
A nosso ver, valorizar o papel do professor é precisamente isto: afastá-lo da função instrumental de mero transmissor de conhecimentos — uma função que, hoje, pode ser facilmente desempenhada por qualquer máquina. Pelo contrário, é no plano da relação pedagógica que se afirma a verdadeira identidade do educador: presença humana, ética, afetiva e intelectualmente comprometida com o crescimento do outro.

A autoridade-serviço do professor consiste, pois, numa autoridade relacional, e não de imposição. O professor deve ser reconhecido não porque detém o poder, mas porque é digno de confiança: coerente, competente e presente. Por outras palavras, a autoridade do professor deve emergir da qualidade da relação pedagógica, não da obediência forçada.
Já quanto ao “serviço”, este não significa, de modo algum, servilismo, mas, acima de tudo, um compromisso ético com o crescimento do outro. Como se o professor colocasse o seu saber, a sua escuta, a sua experiência e a sua presença ao serviço do desenvolvimento integral do aluno.

Nesta conceção de professor enquanto autoridade-serviço, existe o exercício de uma liderança discreta, mas firme, que não se impõe, mas propõe; que guia sem controlar, que inspira sem dominar. Aliás, é apenas neste tipo de relação que se pode verdadeiramente esperar a inovação, a criatividade e o envolvimento autónomo dos alunos.

A autoridade-serviço do professor tem também alcance pedagógico na transformação da cultura da sala de aula: a autoridade deixa de estar associada ao medo e passa a ser referência segura, geradora de confiança e estabilidade emocional. Humaniza-se, assim, o exercício docente, ao legitimar o professor como alguém que serve a aprendizagem e o crescimento dos alunos, e não apenas o cumprimento de programas e metas. Mostra-se, assim, que é possível ser exigente sem ser autoritário, e acolhedor sem ser permissivo. Esta perspetiva é partilhada não só por Carl Rogers, mas também por Paulo Freire e Emmanuel Lévinas, reconhecendo-se no professor alguém que responde pelo outro e com o outro, num compromisso ético e libertador.

Para além de implicar a transição de uma lógica centrada na instrução para uma perspetiva formativa, o professor enquanto autoridade-serviço reforça a ideia de que o ensino deve articular conhecimento e formação humana —formando alunos capazes de pensar criticamente, de cooperar, de resistir à manipulação e de contribuir ativamente para o bem comum. Neste sentido, a aprendizagem adquire uma dimensão ética e existencial, indo muito além da simples aquisição de competências. A própria planificação, a avaliação, e, em certa medida, a gestão do tempo e do espaço de aula, tornam-se progressivamente negociadas e vividas em corresponsabilidade.

A ESCOLA COMO ESPAÇO DE ENCONTRO DE HUMANIDADES
É nesta conceção relacional e humanista da autoridade que se reconhece o sentido mais profundo da educação como encontro de humanidades, tal como propõe Carl Rogers. A escola deixa de ser um espaço de controlo e uniformização para se tornar um lugar onde todos aprendem — professores, alunos e comunidade — num clima de confiança, diálogo e reconhecimento mútuo.

A figura do professor, entendida como autoridade-serviço, constitui, assim, condição e motor de uma escola verdadeiramente humanista, centrada na pessoa e na autenticidade da relação educativa. Talvez, desta forma, possamos evitar — ou pelo menos mitigar — o perigo do "atrofiamento cognitivo", fruto do recurso cada vez mais intenso à inteligência artificial, como referia hoje mesmo, no Jornal Expresso, o jornalista Luís Pedro Nunes.

POSSÍVEIS OBSTÁCULOS À CONCRETIZAÇÃO DO PROFESSOR AUTORIDADE-SERVIÇO
Antes de enunciar as condições que tornam possível a realização do professor enquanto autoridade-serviço, importa reconhecer os obstáculos que podem dificultar — ou mesmo impedir — essa concretização. Desde logo, persistem visões tradicionais da docência ainda muito enraizadas numa lógica de controlo, de imposição e de transmissão vertical do saber. A cultura organizacional de muitas escolas, fortemente condicionada por pressões burocráticas, normativas e avaliativas, pouco favorece a valorização da dimensão relacional e humanista do ensino. A escassez de tempo, a sobrecarga administrativa, a ausência de espaços de reflexão pedagógica em equipa e a formação insuficiente em competências relacionais constituem, também, fatores limitadores. A própria insegurança profissional e o medo de perder autoridade perante alunos e encarregados de educação podem levar alguns docentes a adotar posturas defensivas ou autoritárias.

Em suma, a transição para uma autoridade relacional e ética exige não apenas vontade individual, mas também mudanças estruturais e culturais no sistema educativo.

CONDIÇÕES PARA A REALIZAÇÃO DO PROFESSOR COMO AUTORIDADE-SERVIÇO
Para que esta conceção de autoridade-serviço se concretize no quotidiano das escolas, impõe-se a criação de condições estruturais e culturais que a tornem possível. Desde logo, importa valorizar institucionalmente a dimensão relacional do ensino, reconhecendo que a presença do professor não se esgota na instrução, mas se expressa na escuta, no acompanhamento e na criação de vínculos significativos.

A formação contínua do professor deve privilegiar competências relacionais, ética do cuidado e liderança pedagógica. Simultaneamente, é necessário rever práticas avaliativas e curriculares, dando lugar a processos mais formativos, negociados e centrados na autonomia do aluno. Promover fóruns de diálogo, assembleias de turma e momentos regulares de feedback entre professores e alunos são formas de enraizar uma cultura de corresponsabilidade e confiança.

Por fim, importa investir numa “supervisão” pedagógica colaborativa, assente na partilha entre pares, que fortaleça a identidade profissional do professor enquanto referência ética e relacional. Só assim a autoridade do professor deixará de ser um atributo funcional para se tornar um traço distintivo da sua missão educativa — não a de comandar, mas a de servir e inspirar.  

Jota Eme

 

Nota do Autor : Este texto resulta de uma releitura da obra A Escola que (Con)vence, da autoria de João Maria Morais Monteiro, publicada em setembro de 2019 pela editora Chiado Books, que inspirou a pequena reflexão aqui apresentada.

MULTITASKING: DE QUE FALAMOS, AFINAL?

 

O título pode, legitimamente, em virtude do recurso a um estrangeirismo, suscitar algumas dúvidas. Por acaso não aprecio, pelo menos de um modo geral, mas, por vezes, confesso que gosto de um ou outro. Como por exemplo, deste. Porquê? Não sei.

De forma mais ou menos recorrente somos confrontados, concretamente nos órgãos de comunicação social, com textos reflexivos e científicos sobre os impactos do uso das tecnologias, nomeadamente sobre a sua influência no nosso cérebro.

As suspeitas sobre alguns dos malefícios da nossa dispersão pelo écran táctil vão tendo, efetivamente, alguma confirmação por parte da ciência.

Sob o título, “O Smartphone Está a Mudar o Nosso Cérebro”, o jornal Expresso refere, ainda, no subtítulo, que a “Sobrecarga de estímulos está a fazer diminuir a capacidade de concentração e ameaça a criatividade e o raciocínio abstrato.” Da minha parte, atrever-me-ia, ainda, a acrescentar que está em causa, igualmente, o desenvolvimento da capacidade de distinguir o essencial do acessório.

Segundo o mesmo jornal, um especialista do Massachusetts Institute of Technology (MIT) chega mesmo a afirmar que “Estamos a assistir a um processo de degradação cognitiva.” O que é especialmente grave.

O facto de, geralmente, estarmos regular e sistematicamente ocupados no desempenho simultâneo de várias tarefas (por exemplo a estudar/trabalhar e, simultaneamente, a receber e enviar mensagens a amigos no telemóvel, a ver as fotografias do Instagram, a enviar e a receber mails, a espreitar a TV…), faz com que percamos, em média, segundo estudos nesse sentido, 23 minutos, para recuperar o grau de concentração que tínhamos aquando da realização da tarefa principal. Com a agravante de que, se estivermos a desempenhar uma tarefa e, simultaneamente focados noutros estímulos, possam aumentar os erros, ou seja, diminui a qualidade do nosso desempenho; perdemos eficiência. A ciência vem, assim, confirmar, o que já se suspeitava.

Segundo os especialistas das ciências do comportamento, a quantidade de estímulos dispersa a nossa atenção e, consequentemente, diminui a própria qualidade e complexidade do nosso pensamento; perdemos a capacidade de refletir criticamente; sai fragilizada a inovação e a criatividade, já que estas são o resultado de interconexões de pensamentos. “Quando se tenta fazer multitasking, não se chega tão longe no caminho do pensamento porque o cérebro está constantemente a mudar de [foco] e a recuar”, refere-se no jornal Expresso, citando um dos especialistas do MIT, Earl Miller.

Alguns especialistas vão mais longe afirmando que o multitasking ao pôr em causa a capacidade de concentração, prejudica gravemente aquilo que contribui, decisivamente, para a produção cultural e científica, como sejam o raciocínio abstrato e o raciocínio lógico.

Também não será agradável, numa conversa entre amigos, vermos os nossos interlocutores, enquanto falam connosco, sistematicamente a espreitar os seus telemóveis, respondendo aos seus amigos, a escrever um texto de última hora de natureza profissional, ou, pior, entretidos no “laikar”. Neste “vaivém” do cérebro, não há foco que resista, além de, neste caso em concreto, contribuir para desvalorizar a dimensão social do ser humano. 

O pior é que nos tempos que correm somos mesmo encorajados a fazer multitasking.

Cada vez mais os jovens e os menos jovens, da chamada era digital, estão rodeados de gadgets e de diversos écrans que, segundo estudos científicos recentes, têm contribuído para que os jovens que passam mais tempo frente ao écran, apresentem um quadro de “mais sintomas de ansiedade, depressão, desatenção e hiperatividade.” Apesar das evidências, há, no entanto, quem, mesmo assim, não esteja convencido.

E no mundo profissional? O que se passa? Também somos incentivados a fazer multitasking?! Claro que sim. Mais do que incentivados a fazer multitasking, sentimos, paradoxalmente, prazer em ser autoexplorados.

No reino da arrogância meritocrática, toda a responsabilidade está no desempenho de cada um, como se o mérito fosse exclusivamente traduzível em eficácia e eficiência; como se o valor do nosso trabalho fosse meramente mercantil. Mais: a eficácia e eficiência depende, muitas vezes, da cedência ao multitasking, que é como quem diz, em termos muito simples, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, obrigando-nos a reconfigurações permanentes (recuar, mudar…) como se quiséssemos dar o salto para o homem meio-máquina, algo que os transumanistas almejam.

Obrigados à polivalência no desempenho profissional, mas também vítimas de múltiplas distrações, sujeitos à hiperinformação, é cada vez menos o tempo para o autocuidado, para a reflexão, para o contacto físico com os amigos e com os que, de um modo geral, merecem a nossa atenção. Estarmos sempre “ligados”, com sobrecarga de estímulos, faz disparar o sentimento de tristeza, de ansiedade, de angústia, de sentimento de vazio, por vezes, até, algum asco existencial.

Mas também podemos ver o mutitasking, como uma consequência da ausência de pausas. Quase desapareceram das nossas vidas os rituais. Essas “paragens”, esses “encontros sagrados” constituíam um balanço que nos despertava para a nossa existência, para a existência do outro e para a existência do mundo; a atenção exclusiva num acontecimento, num lugar, num espaço, é uma raridade.  Agora, carregados de estímulos, vítimas da obesidade informativa, tudo gera em nós um sentimento de incompletude, de obstáculo permanente à pausa. Indispensável nestes assuntos (e noutros), o filósofo Byung -Chul Han diz: “O regime neoliberal abole as formas de cerramento e conclusão para aumentar a produtividade […] A incapacidade de concluir também tem muito que ver com o narcisismo…”

Tudo parece tornar-se, cada vez mais, um mundo do que o Byung- Chul Han designa de “não-coisas”: “A hipercomunicação digital, a conectividade ilimitada, não cria nenhuma união, nenhum mundo. Antes, tem por efeito isolar, aprofundar a solidão (…) o desastre da comunicação digital deriva de não termos tempo para fechar os olhos [..] a ordem digital é dominada pela informação”. Carregados de um mundo que não queremos, aspiramos, desesperadamente, por um mundo que nos ofereça uma pausa, que nos dê a oportunidade de desfrutar do silêncio. 

“O silêncio é alheio à informação […] o silêncio é um fenómeno da atenção. Só uma atenção profunda produz silêncio. Mas a informação despedaça a atenção […] afundamo-nos no ruído[..] hoje estamos rodeados de não-coisas, de distrações informativas, que fragmentam a nossa atenção. Por isso, destroem o silêncio, mesmo quando são silenciosas.” Habitamos um mundo cada vez menos coisificado, entramos num ambiente incorpóreo e reduzido ao écran: “a janela digital dilui a realidade, transformando-a em informações que digerimos”, diz-nos, por fim, o filósofo Byung- Chul Han.

O bastião da realidade, aquela que nós aprendemos, radica no écran. E já quase não damos por isso. Confundimos - ainda que alguns digam que não - a realidade com a que aprendemos no écran. O Smartphone toma cada vez mais conta de nós, e não o contrário. É como se tudo estivesse acantonado naquele espaço digital.

Ao fazermos depender a nossa existência de um mundo cada vez mais virtual também contribuímos para a mudança e/ou alteração de valores.  A autenticidade é, agora, espalharmos aos quatro ventos, a nossa intimidade e privacidade: “A sociedade da autenticidade é uma sociedade da intimidade e do desnudamento. Um nudismo da alma confere-lhe caraterísticas pornográficas”, diz, muito bem, pelo menos na minha opinião, Byung- Chul Han. Ou seja, conclui o filósofo: “As relações sociais são tanto mais verdadeiras e autênticas quanto mais privacidade e intimidade forem reveladas.” Infelizmente, isso assume contornos preocupantes. Todos conhecemos pessoas que estão nesse caminho.

Que fazer?

É difícil. Mas podemos tentar dar menos tempo aos nossos gadgets que nos distraem de cada um de nós e do próximo.  Concentremo-nos em menos tarefas. Foquemo-nos nos nossos amigos, não através das redes sociais, mas privilegiando a sua presença física. Retomemos alguns rituais que contribuam para nos pacificar, serenar: ler um livro, partilhá-lo com os nossos amigos, fazer uma caminhada, convidar um amigo para uma conversa num café, visitar os nossos pais ou avós mais vezes. Façamos mais experiências da proximidade. Entrar numa igreja, mesmo que não se seja religioso, e fazer aí uma pausa. E tantas outras coisas. Desligar por momentos o telemóvel e tudo o que nos pode ligar eletronicamente ao mundo, é também uma boa opção. Pode-se experimentar. O nosso cérebro e, sobretudo, a nossa alma, agradecerão.

Não deixemos, parafraseando Byung, que a paciência e a espera como estado de espírito continuem em processo de erosão.

Jota Eme

 

Bibliografia principal de referência neste texto: Não-Coisas – Transformações do Mundo em que Vivemos, de Byung-Chul Han, Ed. Relógio D’Água, 2022

 

 

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