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Bricolage da Escrita

Bricolage da Escrita

O QUE SE DIZ POR AÍ

Sobre o Rui Rio

As palavras de Clara Ferreira Alves na edição da Revista Expresso de 09.02.2021 (Edição 2541), manifestam o estado político confrangedor a que chegámos. Claro que ela se refere a Rui Rio, mas na minha modesta opinião, o seu pensamento bem podia ser extensivo aos líderes de todo o espectro político nacional. Sem exceção. Diz, então, ela: “[…] Ninguém sabe o que ele ou o partido pensam sobre a Europa, sobre as alterações climáticas, sobre a macroeconomia, sobre a fiscalidade, sobre a geostratégica, sobre o mundo […] O Rio secou.”

Complementaria a ideia anterior, dizendo que não foi só o Rio que secou. Secaram os “rios” políticos deste país. Atravessamos um deserto de propostas credíveis capazes de responder aos grandes problemas e/ou desafios estruturais. Prefere-se protelar para que tudo fique ainda mais dificil de resolver. Será que o objetivo é esse?! 

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Sobre a reforma da educação do Chega

Fiquei a saber, pela imprensa, que o Chega tem um alegado programa para a educação.

Do pouco que li, a conclusão é simples: não é um programa para a educação, é um plano para, mediante algumas medidas populistas (como é apanágio destes partidos), crescer politicamente um pouco mais para atingir o poder.

Naquilo que podia ser, então, o tal programa para a educação, enfatiza-se e enaltece-se, por exemplo, a ordem e a hierarquia, o poder, os exames nacionais alargados a todos os ciclos e níveis de ensino, a classificação (pura e dura?), a recusa da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, a punição dos alunos preguiçosos e indisciplinados, afastamento das escolas dos sindicatos, dos partidos e dos governos, etc. Também anuncia (outra coisa não seria de esperar) o reforço da nobreza da profissão docente. 

Este conjunto de intenções não andará longe de uma pretensa reforma da educação que, a avaliar pela notícia, será para anunciar mais tarde.

Não restam dúvidas: a hipotética reforma da educação por parte do Chega, só pode assentar na vacuidade e simplismo de slogans estrategicamente orientados para cativar os incautos e, sobretudo, aqueles que teimam em não querer perceber que, hoje, não há respostas simples e definitivas para os vários problemas, concretamente para a educação. Temos, cada vez mais, de estar preparados para aceitar a incomodidade, a incerteza, a complexidade, as interdependências do mundo em que estamos inseridos, recusando, enquanto cidadãos ativos e participativos, as pseudossoluções que alguns nos anunciam.

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Sobre a alegada transparência da justiça

Diz-se, por aí, que agora sim. Finalmente, vem-se provar, que ninguém está acima da lei. E, nesse contexto, mais uma figura mediática (agora do mundo do desporto), foi objeto da justiça, tendo inclusivamente sido preso para, supostamente, ser interrogado.

Eu gostava muito de acreditar que, agora, é que é!!! Mas..., não sei. Continuo, no mínimo, cético. Prende-se, interroga-se, anunciam-se medidas de coação, mas no final dos capítulos, poucos (refiro-me aos mais “ilustres” ladrões) são os que “apanham” prisão efetiva e/ou devolvem o que roubaram. Pelo menos até agora, tudo se arrasta indefinidamente; parece que mesmo havendo nuances nos episódios, o fim advinha-se sempre o mesmo. Há casos, até, em que o vilão vira, sem surpresa, herói. E a comunicação social ajuda, geralmente, nessa metamorfose a que também nos vamos habituando.

Aguardemos se, a curto prazo, alguma coisa de essencial vai mudar na justiça portuguesa. As dúvidas, para mim, ainda são muitas. Afinal, continua a privilegiar-se o imediato. Não vejo vontade (política) de proceder a grandes transformações de modo a prevenir os grandes crimes de corrupção. Ou estarei enganado?!

 

Jota Eme

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